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Corumbá: Até quando esperar pela mudança?

Corumbá: Até quando esperar pela mudança?

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Corumbá: Até quando esperar pela mudança?

Corumbá: Até quando esperar pela mudança?

Corumbaense aguenta calor de 45º quase o ano todo, um frio "duro" de rachar, mosquitos e fumaça de queimadas. Mas não suporta o descaso.

Há uns dias eu vi uma propaganda de uma construtora de edifícios da Capital, em alguns veículos de comunicação em Corumbá. Nessa propaganda, a empresa convidava corumbaenses a investirem seu dinheiro em imóveis, em Campo Grande. Na chamada, a construtora sugeria investir o dinheiro de potenciais consumidores de Corumbá em imóveis que valorizariam-se, na Capital.

É claro que uma empresa - como qualquer outra - têm o direito de captar consumidores onde ela puder, faz parte do jogo da estratégia de mercado. Mas nesse caso em específico, é para diminuir qualquer corumbaense nato, como eu.

Afinal de contas, por quê essa empresa não lançou a construção de um edifício em Corumbá, uma cidade que há décadas pode-se contar os prédios existentes nos dedos das mãos? Ao invés de investir CONSTRUINDO em nossa cidade, só apareceu para captar o dinheiro dos corumbaenses e deixar Campo Grande mais próspera e bonita. 

“Aiiin, Corumbá não tem mercado”.  

Se alugou salão de hotel por vários dias e até hoje ainda faz campanha na cidade, é porque o mercado EXISTE - basta ter vontade de empreender e fazer os devidos investimentos para que isso aconteça.

Nesse momento meu orgulho corumbaense foi ferido, mas isso não me surpreendeu.

Infelizmente há muito tempo, essa é a visão que o resto do Estado tem da nossa localidade: um lugar que pode ser explorado, mas que ninguém quer investir - nem mesmo a classe política.

Há muito tempo Corumbá não recebe investimentos significativos que possam de facto mudar sua triste realidade. Para dizer a verdade, desde o Governo Zeca do PT - que deu um grande start ao conseguir a construção da Ponte do Rio Paraguai, criando uma maior acessibilidade para a região, despertou a cultura e o turismo na cidade (muito mal-aproveitado, até hoje) com investimentos significativos na restauração do patrimônio histórico e só pisando na bola por não ter tido a capacidade de restaurar a linha férrea para o turismo (uma promessa de campanha de quase todos os políticos que vão pedir votos em Corumbá), que seria um grande diferencial turístico para a região pantaneira - eu não vejo UM administrador estadual que olhe por Corumbá.

Sim, desde Zeca NENHUM Governo fez algo mais substancial pela Cidade Branca, vamos ser justos (em especial eu, antipetista assumido). Casas populares? Asfalto? Educação? Adquirir equipamentos ou ambulâncias? Faz parte dos deveres de casa dos governantes, não tem nada de “especial”. É o rame-rame da rotina do dia-a-dia de qualquer governante. Isso pode até mudar a vida de algumas pessoas, mas não muda o DESTINO de uma cidade.

Eu estou falando de coisas que REALMENTE fazem a diferença. De investimentos que podem transformar toda a realidade de uma região, aquele lance de mudar o KARMA coletivo de toda uma população.

Corumbá é uma cidade isolada. De um lado, temos um país muito mais pobre que a gente e que depende da nossa infra-estrutura. Não tem como correr para lá, uma vez que dependem da gente até para vacinar cachorro. E de todos os outros lados, somos cercados por um imenso Pantanal trafegável apenas por barco ou avião, em sua grande maioria. Se você quiser conversar com alguém que não fala “Señor” ou “DoX, TrêX” vai ter que encarar uma estrada por cerca de mais de duas horas (e em um trecho que só tem um posto de combustível) até chegar em Miranda - o que não é grande coisa, convenhamos. E mais duas horas e 200 km para chegar até a capital Campo Grande.

A estrada é o único caminho para quem precisa de um tratamento médico inexistente em Corumbá. Ou você encara a única empresa de ônibus que monopoliza o transporte da região há décadas (e uma viagem média que dura 7 a 8 horas), praticando os preços que deseja e aproveitando a vantagem de ser a ÚNICA do setor em operação (o preço da passagem por quilômetro rodado de Campo Grande à Corumbá é maior que o preço para outras localidades do Estado), bota seu carro na estrada ou você encara transportes alternativos que nem sempre possuem qualidade, conforto e segurança que nós merecemos.

Corumbá têm ainda a triste realidade de ter um aeroporto internacional que não pousa nenhuma aeronave estrangeira. Para dizer a verdade, não me lembro de nenhum vôo internacional comercial com escala ou conexão em Corumbá - me corrijam se eu estiver errado. A única empresa em operação atualmente tem um vôo direto que sai do interior de São Paulo e chega até Corumbá, mas corumbaenses não podem entrar no avião e desembarcar em Campo Grande, porque o vôo de retorno não faz escalas na Capital - um presente da inteligentíssima “estratégia turística” da gestão passada para os corumbaenses.

E agora eu fico sabendo que o Governador Reinaldo Azambuja pretende ampliar a Santa Casa (com cerca de 38 leitos extras) e uma UTI Neonatal (cuja verba federal já havia sido disponibilizada durante a gestão municipal passada, mas o administrador não quis - juntamente com mais uma UPA que seria construída no Bairro Maria Leite - e o dinheiro retornou para o Governo Federal).

Bacana, mas é insuficiente. Isso não MUDA a realidade da região.

Justamente pela distância - e pela falta de investimentos significativos na área da saúde - o corumbaense sofre pela falta de especialistas e até mesmo de empregos, por conta de empresários que não querem se estabelecer em nossa cidade, por conta da falta de estrutura, de conforto (cansei de ouvir: “Quem é que quer vir trabalhar nesse fim-de-mundo?”).

Sofremos pela falta de carinho.

É claro que a falta de representatividade política ajuda bastante nesse processo de degradação da nossa cidade. Admito que a ignorância política do nosso povo contribui nesse processo, uma vez que não temos NEM UM representante na Assembléia Legislativa. Babávamos em um Senador que se intitulava corumbaense e pantaneiro, mas que nunca fez um centésimo por Corumbá  - o contrário do que os Tebet fizeram por Três Lagoas e região. E quando tivemos UM deputado que PARECIA que agia algo, tiramos ele do cargo de deputado e botamos ele como prefeito - e todos somos cientes do fiasco que isso se tornou.

Sim, nós temos a nossa mea culpa nesse processo - porque sem o nosso voto, nada é feito. É o NOSSO voto que elege e cria o jogo que aí está, inclusive nossos vereadores - a primeira linha de frente da classe política ( e que até o presente momento a notícia mais significativa de suas ações foi a compra de cadeiras para eles mesmos, no valor de R$ 32 mil reais.).

O ano de dois mil e dezoito da graça do Nosso Senhor está chegando. E com ele, sorrisos, tapinhas nas costas, afagos, promessas: aquele mais do mesmo, que todos nós sabemos que se repete infindavelmente eleição após eleição.

Mas esse ano vamos cobrar promessas. ESSE ANO e não em 2018, quando mais promessas forem feitas (ou renovadas), como é de praxe nesse período pré-eleitoral. 

A Caravana da Saúde é claro, foi uma boa idéia - mas é algo paliativo, é pontual e não resolve o problema. Alivia durante algum tempo, mas não resolve. Enquanto não investirem em soluções REAIS e a longo prazo, continuaremos a ver coisas assim:



Ainda que isso machuque o nosso orgulho interiorano, lamentavelmente ele não está errado. Nós incomodamos a população da capital. Nós sofremos porque não temos para onde correr. Eles sofrem porque têm os recursos, mas têm que dividir o que têm conosco. 

O corumbaense aguenta calor de 45º quase o ano todo, um frio "duro" de rachar, mosquitos e aprendeu a respirar a fumaça de queimadas. Mas não suporta o descaso.

Sendo assim, NÃO abriremos mão do HOSPITAL REGIONAL, aquele mesmo hospital que já foi entregue em Ponta Porã , o mesmo hospital que será construído em Três Lagoas e que Dourados já começou seu processo licitatório

E não apenas o prédio. Hospital com especialistas, com centro de diagnósticos, raios-x, tomografia, mamografia, ultrassom, pronto-socorro, ambulâncias, UTI e tudo o que foi prometido em sua campanha. Isso sim, mudaria toda a realidade da nossa Corumbá - e não apenas um “puxadinho”, como já estão falando que é o que vai acontecer na cidade. 

Temos FOME de desenvolvimento, progresso e atenção governamental, mas não queremos sobras, não queremos esmolas. Queríamos ter feito parte dos R$ 100 milhões que o senhor já gastou na construção de novos hospitais no Estado, mas Corumbá não esteve nessa lista. Queremos o mesmo tratamento de Ponta Porã, de Dourados, de Três Lagoas e outras cidades que estão recebendo atenção, enquanto mais uma vez ficamos de lado.
  
Para quem quiser refrescar a memória - inclusive o Sr. Governador - aqui está uma compilação das tais promessas em vídeo.



Afinal de contas, milhares de corumbaenses fizeram campanha de cara limpa e peito aberto, acreditando que elas seriam cumpridas (inclusive eu) - e quem conhece corumbaense como ELE É DE VERDADE, sabe que o amor que o corumbaense sente pela sua cidade Corumbá supera qualquer tipo de transcendência. Política, inclusive.

Durante sua campanha, o então candidato Reinaldo em vários vídeos citou uma frase - mencionando o seu pai como autor da mesma:  

 “Meu filho, palavra é tudo para uma pessoa. Você não é obrigado a prometer - mas se você deu a palavra, cumpra a palavra”.

Então por favor, não demore.

Fábio Marchi

Jornalista, designer, fotógrafo, webdeveloper, profissional de marketing e social media, bacharel em Direito, escritor, blogueiro, político e ainda sobra um tempo para ser Diretor de Conteúdo, do Jornal MS Diário.

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