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O pacto pela cidade rica e sem Deputado

O pacto pela cidade rica e sem Deputado

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O pacto pela cidade rica e sem Deputado

O pacto pela cidade rica e sem Deputado

Mais uma chance para corrigir o maior erro político da história de Corumbá.

Na próxima sexta-feira (11) acontecerá um encontro na Câmara de Corumbá, quando serão tratados assuntos referentes às eleições do ano que vem - quando serão eleitos (ou reeleitos) os políticos que ocuparão as cadeiras de Governador, Vice-Governador, Deputados Estaduais e Federais, Senadores e seus respectivos suplentes.

Nesse encontro, estarão presentes os representantes do Legislativo e do Executivo de Corumbá - pois a idéia é firmar um pacto para que finalmente Corumbá tenha novamente pelo menos UM representante na Assembléia Legislativa do Estado. Terenos tem, Bonito tem, Aquidauana tem… Corumbá não tem.

Sim, isso é uma grande vergonha. Somos a SEGUNDA cidade em arrecadação no Estado (e mesmo com a crise da diminuição da arrecadação do ICMS do gás, ainda deixamos para trás Dourados e Três Lagoas) e não temos NINGUÉM lá na Assembléia para zelar pelos nossos interesses e objetivos.

Ter, até tínhamos. Paulo Duarte (hoje no PDT, ocupando o cargo de assessor na Assembléia onde um dia já foi Deputado) foi eleito duas vezes pelo Partido dos Trabalhadores (PT) com votação maciça das cidades de Corumbá e Ladário. Depois abandonou o cargo de Deputado - na metade do segundo mandato - para ser Prefeito de Corumbá, e deu no que deu: conseguiu, foi eleito  - mas hoje ele não é mais deputado, nem prefeito.

Quem perdeu com isso? A nossa cidade - que amargou uma administração arrastada por quatro anos que pareciam intermináveis e acabamos ficando sem representante durante todo esse período - pois ele acabou não repetindo a proeza do seu ex-compadre Ruiter que o elegeu, reelegeu e  ainda de lambuja, ajudou-o a ser Prefeito de Corumbá. Os números não mentem, muito menos os fatos e resultados:

Em sua primeira eleição Paulo teve 18.475 votos em Corumbá e 23.632 votos em outras cidades. Na segunda, teve 20.060 votos só na Cidade Branca, 20.931 no resto do Estado. E para Prefeito, teve 27.400 votos - todos em grande parte, mérito da campanha promovida pelo Prefeito Ruiter Cunha, quem geria o poder local.

Sabe-se que em Corumbá tradicionalmente o Executivo tem a capacidade de gerar pelo menos 25.000 votos - de um total de pouco mais de 70.000 eleitores na cidade.

Mas na vez de Paulo, o Executivo NÃO apresentou os resultados da gestão anterior. Foram gerados míseros 12.995 votos para Ruiter em Corumbá (ele obteve mais 5.507 votos em outras cidades) e Marcelo Iunes veio na batida com 9.312 votos em Corumbá (e mais 3.812 votos em outras cidades do Estado). Em uma estratégia falha e imperdoável colocaram dois candidatos fortes da MESMA COLIGAÇÃO, que culminou com a não-eleição de Ruiter e Iunes e foi o ponto de partida para um cisma no grupo político local que culminou com a não-reeleição de Paulo em 2016, unindo Ruiter e Marcelo na oposição ao seu governo e assim acabaram derrotando-o nas eleições municipais, gerando aquele climão de “eu-fiz-por-você-você-não-fez-por-mim-agora-aguenta”. Se você quiser saber mais sobre esse assunto, na época escrevi um artigo explicando isso, minuciosamente - e que vale a pena reler, aqui.

Agora, uma preocupação: sabemos que Corumbá tem 70.000 eleitores, mas nas últimas eleições para Deputado, 24% desses eleitores e eleitoras não foram votar, 5,67% votaram branco e 1,96% votaram nulo, um número bem alto de gente que para ser Frei Mariano, só faltam as sandálias - não estão nem aí para o futuro de Corumbá. Como a tendência do eleitor médio é manter o seu comportamento eleitoral anterior, a Cidade Branca contará com apenas 53.000 eleitores em 2018 - pois cerca de 17.000 eleitores de Corumbá não votarão em ninguém novamente (ou nem comparecerão nas urnas ) - mas tenho certeza que reclamarão como nunca, se porventura não conseguirmos eleger algum representante novamente, não é mesmo?  

E no quesito Deputado Federal, a vergonha é maior: há 27 anos elegíamos Elísio Curvo, nosso último Deputado Federal eleito pela cidade de Corumbá de forma direta. O fato aconteceu no longínquo ano de 1990, pelo extinto Partido da Reconstrução Nacional (PRN) com pouco mais de 28.800 votos e ficou na Câmara Federal até 1994. Elísio foi muito criticado por não votar a favor do impeachment de Collor (ele fazia parte do seu partido) e caiu no ostracismo.

Corumbá teve um OUTRO Deputado Federal, Manoel Vitório - na época, pelo PT - e conseguiu entrar na Câmara como suplente - e acabou exercendo o mandato de Deputado Federal entre os anos 2000 e 2002. Suplente nas eleições de 1998, Manoel teve 5.285 votos em Corumbá (6.947 no total).

Um pacto por Corumbá é algo muito importante e fico feliz que finalmente a ficha tenha caído para a classe política de Cidade Branca. É certo que sem o poder do Executivo, candidatos que saírem de aventureiros nadarão e morrerão bem longe da praia. Por outro lado, o Legislativo pode atrapalhar o desempenho de eventuais favoritos do Executivo, lançando vários candidatos, apoiando candidatos forasteiros (e que acabam não fazendo nada por Corumbá, além de “pagar-e-levar”) e dessa forma, contribuindo para a bancarrota política da cidade. E é claro, sempre aparecerão aqueles políticos que se dizem “corumbaenses”, mas ou arruinaram a cidade em algum momento de suas trajetórias políticas - ou tiveram a oportunidade do Legislativo NAS MÃOS, e jogaram-na fora, permitindo que algum outro forasteiro saído sabe-se-lá de onde, sentasse em uma cadeira na Assembléia que era de Corumbá.

Não, chega disso.

Essa idéia deve ser enfaticamente apoiada - DESDE QUE não lancem pessoas desqualificadas para o cargo ou pior, AQUELES que já tiveram a oportunidade de ter estado lá, mas desperdiçaram-na por conta da soberba, da ganância, da sede desenfreada pelo poder. Que seja alguém que realmente se COMPROMETA com a nossa região e que fique ATÉ O FINAL do seu mandato ( e que se trair seus eleitores, que nunca mais seja eleito novamente). Que os políticos de Corumbá vistam-se com os mantos da humildade e da generosidade e possam se unir em torno de um ou dois nomes no máximo e assim, pararmos finalmente de ser a GRANDE CHACOTA estadual: a terra da prostituição política onde todo mundo de fora festeja, mas nós não comemos o bolo depois.
 
Chegou a hora de fazer a NOSSA festa. E esse bolo têm que ser nosso.  

Fábio Marchi

Jornalista, designer, fotógrafo, webdeveloper, profissional de marketing e social media, bacharel em Direito, escritor, blogueiro, político e ainda sobra um tempo para ser Diretor de Conteúdo, do Jornal MS Diário.

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