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Casos de pneumonia e H1N1 assustam população de Corumbá

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Santa Casa de Corumbá

Saúde

Casos de pneumonia e H1N1 assustam população de Corumbá

Pelo segundo ano consecutivo casos de pneumonia e H1N1 rondam a cidade, nesta mesma época.

Corumbá - Uma situação vem chamando a atenção da Redação do MS Diário: uma quantidade considerável de pessoas residentes em Corumbá, vem entrando em contato conosco através das redes sociais, relatando diversos casos de internações súbitas (algumas, em estado grave) cujos sintomas são muito parecidos com a gripe, associada à problemas respiratórios.

Ciente dessas condições, o MS Diário começou a apurar os fatos sobre os eventos relatados pelos nossos leitores da Cidade Branca, distante 430 Km da Capital:

DOENÇA DEVASTADORA

Dona Ivanir ficou doente na semana passada, com uma gripe muito forte - que logo evoluiu para um quadro clínico mais grave, cujos sintomas aparentavam ser pneumonia.

Sem vagas do SUS disponíveis na Santa Casa de Corumbá, a família teve que interná-la no setor particular daquela instituição. Para acompanhá-la durante sua internação, sua neta Wannayr e sua filha Thathy revezavam-se nessa tarefa.

Tathy Campello é uma profissional conhecida no setor comercial de Corumbá, trabalhando em uma loja varejista da cidade. Dormiu no quarto da mãe durante duas noites. No Domingo (24) ela saiu do seu turno de vigília com a mãe, direto para o Pronto-Socorro Municipal, sentindo-se muito mal. Chegando lá examinaram-na, fizeram um raio-x e a liberaram, com alguns medicamentos para gripe. Na quarta feira (27) seu quadro clínico evoluiu e internaram ela diretamente no CTI, onde encontra-se no isolamento - e inspira muitos cuidados. Seus primeiros exames - (segundo sua família) constataram o vírus Influenza, de sorotipo H1N1 - uma variação agressiva e comumente mortal, se não tratado à tempo. A unidade hospitalar mandou refazer os exames, e os familiares ainda aguardam pelos resultados da contraprova.

Dona Ivanir já saiu da Santa Casa. Foi uma decisão familiar: segundo eles, ficaram bastante chateados com a situação vivenciada no único hospital daquela região: não fizeram exames, porque não havia material para coleta. Não haviam remédios disponíveis para Dona Ivanir e para ter o atendimento que tinham -pagando particular - resolveram continuar o tratamento em casa,   com a medicação receitada pelos médicos, contudo seu estado inspira cuidados.

Porém agora a família encontra-se com uma grande dúvida: se Tathy estiver com H1N1, significa em teoria que ela pode ter adquirido a doença junto à sua mãe (que pode estar disseminando o vírus para outros amigos e familiares, em sua residência). Mas por que não fizeram os exames em Dona Ivanir, quando esteve internada no hospital? 

O HOSPITAL

O MS Diário entrou em contato com o Dr. Cristiano Ribeiro Xavier, Presidente da Junta Interventora do Hospital de Corumbá, que nos informou que existem remédios e que os exames estão sendo realizados, quando necessários:

“Existe um protocolo da H1N1 a ser seguido. A Santa Casa possui em seu quadro de profissionais uma infectologista, contratada desde novembro do ano passado - que avalia caso a caso e aplica a medicação necessária para cada processo infeccioso. Antigamente nós usávamos muitas vezes antibióticos muito fortes, para casos de infecção onde aquele medicamento não seria necessário - um de menor potência já teria resolvido. Isso é importante, porque evitamos o surgimento de superbactérias ou mutações virais, aplicando apenas o medicamento necessário para os pacientes que realmente necessitem dele. De igual forma, o remédio Tamiflu só é administrado em pacientes que se encaixem nesse protocolo, seguido pelo Ministério da Saúde.”

VIGILÂNCIA

A distância dos grandes centros é um problema no controle de doenças infecto-contagiosas, em Corumbá. Distante mais de quatrocentos quilômetros da Capital, a comunicação com a Secretaria de Saúde do Estado às vezes é problemática.

Nossa Redação entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Estado de Mato Grosso do Sul e falou com Livia Mello, Gerente de Doenças Endêmicas. Então dissemos para ela alguns dos casos que estavam nos relatando, em Corumbá. Segundo ela:

“É impossível que existam notificações. Nós temos que ser comunicados aqui imediatamente, no momento em que a notificação for realizada lá em Corumbá”.

Porém segundo a mesma, ela não tinha comunicação com a Vigilância Sanitária / Epidemiológica de Corumbá já há algum tempo:

“Não consigo comunicação com eles. Parece que o telefone não funciona. Já até enviei um e-mail para que entrem em contato conosco o mais rápido possível”.

O MS Diário entrou em contato com a Vigilância Sanitária de Corumbá e após várias tentativas, conseguimos um telefone da unidade responsável pela Vigilância Epidemiológica, assim como um telefone celular da Coordenadora de Vigilância Epidemiológica daquela cidade, Mariângela Capurro de Paula, e tentamos entrar em contato, mas segundo a mesma, ela encontrava-se em uma reunião.

Nesse ínterim, repassamos os telefones de contato da Vigilância Epidemiológica (que funcionam) para a Gerente de Doenças Endêmicas do Estado - e em um outro contato, ela nos confirmou que desta vez recebeu as notificações. Mais tarde, a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Corumbá entrou em contato conosco por telefone e depois nos enviaram um e-mail, com algumas explicações. 

EXPLICAÇÕES DA PREFEITURA

Em poucas horas após o contato com a Vigilância Epidemiológica de Corumbá, nossa redação recebeu um e-mail da assessoria de Comunicação da Prefeitura de Corumbá, na qual reproduzimos na íntegra: 

 “Em primeiro lugar, Corumbá não está em situação de epidemia da gripe H1N1

Hoje, a cidade está com 12 casos notificados, um positivo, cinco já descartados e seis aguardando resultado de exame.

Não há falta de material para se fazer a coleta, tanto é que, ontem, as equipes da Vigilância Epidemiológica fez a coleta de duas pessoas que estão incluídas nestas seis que aguardamos resultado do exame.

A coleta de material para exame é feita somente após os médicos solicitarem, já que são profissionais capacitados, (e Corumbá possui bons médicos) com conhecimento para informar quais são os casos considerados suspeitos tanto para H1N1, como em relação a outras doenças.

As pessoas que chegam às unidades de urgência, com gripe, são medicadas. Mesmo liberadas, continuam sendo monitoradas pelas equipes de profissionais, mas tomando medicamentos que os próprios médicos receitam.

Existem casos de pneumonia, mas nem toda pneumonia é H1N1. Um especialista de Brasília já esteve na cidade, algum tempo atrás, justamente para pesquisar os casos de pneumonia. Ele chegou à conclusão de que Corumbá é uma cidade com incidência de pneumonia por ser muito quente e, para amenizar o calor, o ar condicionado é um aparelho que faz parte do dia-a-dia das pessoas que, ao sair ao ar livre, vem o choque térmico, grande responsável pelas pneumonias.

As equipes da Saúde fazem um trabalho contínuo na cidade para prevenir e combater doenças. Isto ocorre não só com a H1N1 (onde a frequente higienizarão das mãos com água e sabão ou álcool gel a 71%, é recomendado), mas também com a dengue, zika vírus, chikungunya e febre amarela, transmitidas pelo Aedes aegypti; raiva animal, leishmaniose, entre outras.” ​

Sobre "choque térmico" mencionado no e-mail, o MS Diário sugere aos leitores que também leiam o excelente artigo "Pare de usar o choque térmico como desculpa para adoecer", publicado hoje, em nosso jornal.

INFORMAÇÕES DESENCONTRADAS

A Santa Casa e a Prefeitura dizem que não faltam material para coleta nem remédios para o tratamento dessas pneumonias que estão lotando os leitos do hospital corumbaense.

Mas Wannayr Souza, a neta da Dona Ivanir e sobrinha da Thaty e uma das que revezaram-se no hospital discorda, em depoimento enviado diretamente para o nosso WhatsApp. Ouça o áudio:

Segundo informações dos familiares, Thaty só está sendo medicada nesse momento no CTI, porque o Sindicato dos Lojistas comprou a medicação, por intermédio do seu chefe - pois o hospital disse que não tinha em seus estoques.

E ainda de acordo com os familiares, a Vigilância Sanitária não apareceu na casa, não entrevistou, não examinou, nem fez coletas de material das pessoas próximas à família.

H1N1 E PNEUMONIA: LADO A LADO COM A MORTE

Daiane

Uma das primeiras mortes do ano, causada por essa “pneumonia devastadora” foi a da enfermeira e socorrista Daiane Aparecida Dias, cujo falecimento comoveu muito amigos e familiares, pois Daiana era uma mulher saudável e muito ativa, vindo a sucumbir poucos dias depois de ficar internada, em estado grave. Sua causa mortis foi designada como consequências de um quadro grave de pneumonia.​

Ismar

​(Ismar com sua filha Patrícia)

Pouco depois, em 18 de janeiro falecia Ismar Mosciaro Gomes, policial aposentado de 53 anos, cuja coleta de sangue comprovou a existência do vírus H1N1, a primeira vítima oficial da gripe no ano, no Estado. Ismar sentiu os primeiros sintomas dia 09, dando entrada na UPA do Guatós - tomando soro e sendo liberado em seguida. Sem melhoras, ele e sua filha buscaram ajuda no PAM do Hospital Local dia 10 e ele foi medicado como se estivesse com uma gripe simples. Dia 13 ele já não conseguia falar: receitaram Tylenol e mandaram para casa. Apenas dia 15 ele foi internado e ficou na enfermaria. No dia 16 foi para um quarto e somente dia 17 foi encaminhado ao centro de Tratamento Intensivo (CTI) - mas já era tarde: Ismar faleceu no dia seguinte.

Sua ex-esposa Catarina aparecida de Oliveira (48) encontra-se internada neste momento no HU em Campo Grande, no isolamento - pois encontra-se com os sintomas da “forte gripe” que Ismar foi acometido, dias atrás. Ela teve contato com ele, na ocasião do seu adoecimento.

Erika

Na madrugada de ontem (28), Erika Conceição (42), que trabalhava em um posto de combustíveis na cidade também veio a óbito, depois de uma rápida internação emergencial. Erika vinha sentindo-se mal, sendo atendida pela primeira vez no UPA, onde disseram que era uma “gripe forte”. Os dias se passaram e sua melhora não evoluiu. Ela dirigiu-se ao Pronto-Socorro e mais uma vez, disseram que era gripe. Sem realizar exames mais apurados, passaram um soro com medicação e mandaram ela retornar para casa. Os dias se passaram sem que a família tivesse notícias de Erika, até que uma tia foi visitá-la e a encontrou muito mal, em sua residência.

Segundo relatos do seu irmão, quando chegaram ao Pronto Socorro e fizeram os exames, o raio-x detectou que havia uma mancha em seu pulmão e que “havia grandes suspeitas de uma doença chamada H1N1”. Imediatamente Erika foi internada na UTI, isolada de outros pacientes. O quadro da doença de Erika não melhorou, ela ainda precisava de ajuda para respirar e a febre persistia. Na madrugada do dia 28, o hospital entrou em contato para dizer que ela havia falecido. Segundo os seus familiares e amigos, o hospital relatou que ela teve duas paradas cardíacas, uma às 23:30h e outra, às 1h da madrugada. Quando os familiares perguntaram do resultado dos exames, o hospital apenas se prontificou a dizer que tinha dado negativo - foi então quando os familiares pediram “o papel para eles verem”, pedido que foi prontamente recusado.

LUTA PELA VIDA

Tathy Campello continua sua luta pela vida no CTI do hospital, permanecendo ainda no isolamento e apresenta alguma melhora razoável, apesar do comprometimento da doença nos seus dois pulmões. Existe uma outra jovem que também está muito mal no CTI de Corumbá - mas ao contrário dos boatos que circulam na cidade, NÃO é a filha do policial Ismar (nem sua irmã). A nossa redação conversou com sua filha Patrícia esta tarde e a mesma encontra-se muito bem de saúde - ainda que tenha corrido riscos, na tentativa de salvar a vida do pai.

POVO SEM VOZ, POVO SEM INFORMAÇÕES

Segundo o áudio recebido por WhatsApp pelo MSDiário, a irmã de Thaty - Vanair Campelo - está indignada pela censura de informações promovida na região. Segundo a mesma, estão “escondendo coisas” da população. Confira o áudio:

PREVENÇÃO

A Influenza A (H1N1) é uma doença respiratória aguda e a transmissão ocorre de pessoa a pessoa, principalmente por meio de tosse, espirro ou contato com secreções respiratórias de pessoas infectadas. Saiba como se prevenir da gripe adotando medidas simples: 

- Lavar as mãos frequentemente com água e sabão, especialmente depois de tossir ou espirrar.
- Ao tossir ou espirrar, cobrir o nariz e a boca com um lenço, preferencialmente descartável. Se trabalhar em ambientes fechados e com contato com outras pessoas, usar máscaras cirúrgicas. 
- Não compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal. 
- Pessoas com qualquer gripe devem evitar ambientes fechados e com aglomeração de pessoas. 
- Não usar medicamentos sem orientação médica. A automedicarão pode ser prejudicial à saúde. 
- Procure o seu médico ou a unidade de saúde mais próxima em caso de gripe para diagnóstico e tratamento adequados. 

ATENÇÃO: se você estiver com febre acima de 38 graus e apresentar dificuldade respiratória, procure o seu médico ou a unidade de saúde mais próxima.


O MS Diário encontra-se à disposição da população para divulgar qualquer informação que seja de interesse da comunidade. 

Para isso, temos nosso grupo no Facebook e nossos contatos via WhatsApp (67) 9987-9711 / 9907-2728.

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Confira mais imagens:

Tathy continua lutando pela vida no CTI de Corumbá. Catarina, ex-esposa de Ismar teve contato com ele, quando ainda estava doente. Ela está com sintomas da gripe, em tratamento em Campo Grande - no isolamento.

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