Pantanal MS
23 de Setembro / 2026
  • Publicado em: 23 de Setembro, 2026 | Fonte: Rafael Almeida

Uma força-tarefa formada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), Ministério Público Federal (MPF) e Receita Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (22), a Operação Perfume de Mulher, contra um esquema suspeito de importar clandestinamente perfumes do Paraguai e distribuí-los para diferentes regiões do Brasil.

Por determinação da Justiça Federal, foram autorizados 16 mandados de busca e apreensão, cumpridos em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco, além de um mandado de prisão. A Justiça também determinou a apreensão de até R$ 100 milhões em bens e valores relacionados aos investigados.

A investigação apura possíveis crimes de descaminho, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. A operação conta com atuação dos Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaecos) do MPMS e do MPF.

Investigação começou após série de apreensões

As apurações tiveram origem em ocorrências registradas entre 2024 e 2026. Nesse período, mais de 20 apreensões teriam sido relacionadas ao grupo investigado.

Uma das maiores ocorreu em outubro de 2025, quando aproximadamente R$ 10 milhões em perfumes importados irregularmente foram retidos pelas autoridades.

Segundo a investigação, os produtos, principalmente perfumes da chamada linha árabe, entravam irregularmente no Brasil pela região de fronteira de Ponta Porã (MS).

Depois de atravessar a fronteira, as mercadorias seriam levadas para depósitos clandestinos. Inicialmente, o armazenamento ocorria em Campo Grande e, posteriormente, o esquema teria ampliado a estrutura para centros de distribuição em São Paulo e Pernambuco.

A operação mobilizou 130 servidores, sendo 30 do MPMS, 50 da Receita Federal e 50 do MPF. | Créditos: Divulgação/MPMS

Vendas pela internet e participação de influencers

A partir desses depósitos, os perfumes eram distribuídos para diferentes estados brasileiros. As vendas ocorreriam principalmente pelas redes sociais, marketplaces e plataformas de comércio eletrônico.

As investigações também apontam a participação de influenciadores digitais na divulgação dos produtos. Em um dos sites utilizados, o próprio grupo se apresentava como “a maior referência em perfumaria árabe do Brasil” e anunciava uma ampla rede de revendedores.

Para dar aparência de legalidade às operações, os investigados teriam utilizado notas fiscais fraudulentas, declarações falsas sobre o conteúdo das mercadorias e diferentes pessoas jurídicas.

Os órgãos responsáveis pela investigação também identificaram indícios de utilização de empresas de fachada, “laranjas”, ocultação de patrimônio e movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica dos envolvidos.

Movimentações passam de R$ 300 milhões

Outro ponto investigado é a suposta utilização de criptoativos nas negociações com fornecedores no exterior.

De acordo com as análises financeiras realizadas durante a apuração, contas bancárias relacionadas aos investigados registraram movimentações superiores a R$ 300 milhões, valor que indica a dimensão financeira do esquema sob investigação.

A operação mobilizou 130 servidores, sendo 30 do MPMS, 50 da Receita Federal e 50 do MPF. Segundo os órgãos, esta é a primeira operação realizada simultaneamente pelos Gaecos do MPMS e do MPF em conjunto com a Receita Federal.

Com o cumprimento das medidas judiciais, as instituições devem analisar o material apreendido e dar continuidade às investigações. Os elementos obtidos poderão subsidiar novas medidas administrativas, fiscais e criminais e ações para recuperação de patrimônio supostamente obtido por meio das atividades ilícitas.

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