
Publicado em: 26 de Agosto, 2025 | Fonte: Fábio Marchi
Na manhã desta terça-feira (26), o prefeito de Corumbá, Dr. Gabriel Alves de Oliveira, concedeu uma longa entrevista ao radialista Jonas de Lima, na Rádio Difusora FM 95,9. Durante a conversa, o chefe do Executivo abordou temas como responsabilidade social, rombo nas contas da Prefeitura, a dívida com o Fonplata, os impasses da ecoterapia e a suspensão do termo de cooperação de servidores com Ladário.
Responsabilidade social e segurança pública
Dr. Gabriel iniciou destacando a importância da consciência cidadã sobre os serviços urbanos mantidos pela Prefeitura, como iluminação pública e limpeza, que custam milhões mensalmente aos cofres do município.
“A população precisa ter o sentimento de pertencimento à cidade, saber que aquela limpeza está sendo feita com o dinheiro dela. Quando você joga lixo, obriga o município a refazer o serviço. Quando furtam cabos de energia, temos que refazer tudo, e isso encarece para o poder público e impede novos investimentos”, afirmou.
Para enfrentar furtos e vandalismo, o prefeito destacou o investimento em videomonitoramento e a busca por parcerias nacionais.
“Montamos um projeto que vamos levar ao senador Nelsinho e à Senasp. Corumbá é região de fronteira, rota do tráfico, e segurança pública precisa ser prioridade. A Polícia Federal e a Polícia Civil também poderão usar essa estrutura.”
Rombo nas contas: herança pesada da gestão anterior
O prefeito detalhou os problemas financeiros herdados. Segundo ele, só de encargos não pagos anteriormente, Corumbá arca hoje com R$ 5 milhões mensais.
“Não estou falando de dívidas parceladas, mas de encargos que não pagavam. Tivemos que levar tudo ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas. Se não houver responsabilização de quem esteve à frente, começo a questionar a Justiça. O mau gestor não pode ficar impune.”
Além disso, a gestão passada teria deixado dívidas com o Funprev, incluindo parcelas atrasadas desde 2021. Hoje, a Prefeitura paga R$ 650 mil mensais de taxa patronal, além de 1 milhão de parcelamento, o que ameaça a sustentabilidade da previdência municipal.
“Em 10 anos pode haver servidor que não consiga se aposentar por falta de recurso. Isso é gravíssimo, e estamos buscando apoio da ministra Simone Tebet para renegociar e aliviar a carga sobre a cidade.”
Responsabilidade administrativa e a polêmica do Fonplata
Sobre obras realizadas com recursos do Fonplata, Gabriel criticou a falta de planejamento em gestões anteriores.
“Passou muito dinheiro na mão errada. Asfalto sem drenagem não aguenta a chuva de Corumbá. Isso é falta de planejamento, e quem paga é a população, que vê o serviço ter que ser refeito.”
O prefeito explicou que a ministra Simone Tebet articula junto ao Banco Internacional um empréstimo com maior prazo de carência para que o município consiga respirar e investir. Equipes do Fonplata chegaram a Corumbá nesta semana para auditoria e reuniões técnicas.
Ecoterapia: serviço será mantido
Outro tema delicado foi o risco de fechamento da ecoterapia, que atende crianças com necessidades especiais. O prefeito garantiu que o serviço não será encerrado, mas admitiu que o projeto apresentado pelos administradores está em situação irregular.
“Ninguém pode pagar um projeto ilegal. Recebi os administradores, expliquei que precisamos corrigir as falhas jurídicas. Mas quero deixar claro: a ecoterapia não vai fechar. Se for preciso, a Prefeitura vai intervir, nos moldes do que já fazemos na Santa Casa e no Asilo.”
Para viabilizar recursos emergenciais, a Prefeitura tenta antecipar repasses do FEMIS e conta com apoio da Câmara Municipal, que deve devolver parte do duodécimo para custear emendas impositivas, incluindo quase R$ 50 mil para a ecoterapia.
Fim da cooperação de servidores com Ladário
O prefeito também confirmou a suspensão do termo de cooperação que previa a cessão de servidores entre Corumbá e Ladário. Segundo ele, a medida foi necessária após desequilíbrios na parceria.
“Cedi funcionários para Ladário, mas em fevereiro recebi de volta 10 a 12 professores, quando a rede já estava organizada. Além disso, quando pedi servidores, não fui atendido. Não é justo com Corumbá, que enfrenta déficit de pessoal e ainda sofre cobranças do Ministério Público.”
Dr. Gabriel ressaltou que Ladário tem dívida de R$ 75 mil com Corumbá e que o diálogo com o prefeito Munir continua aberto.
“Encerramos o acordo, cada um fica com o seu funcionário. Mas podemos voltar a conversar no futuro. O importante é que a região cresça. O que nos une é mais forte do que o que nos separa.”
O prefeito ainda criticou a postura do SINTED de Ladário:
“É a primeira vez que vejo sindicato lutar por cedência de servidores. Sindicato deve lutar por salários, concursos e condições de trabalho. Concurso público resolveria o problema, mas hoje Corumbá não pode chamar aprovados por falta de recursos.”
“Gestão séria”
Encerrando a entrevista, Dr. Gabriel reforçou o compromisso de sua administração com responsabilidade e transparência:
“Estamos fazendo gestão séria, com planejamento e enfrentando a realidade financeira deixada. Nossa prioridade é o servidor, o cidadão e o futuro da cidade.”
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