Publicado em: 10 de Março, 2026 | Fonte: Redação
A Polícia Federal (PF) abriu investigação para apurar a circulação de vídeos no TikTok que incentivam a violência contra mulheres. A apuração foi iniciada após denúncias sobre uma “trend” na rede social que mostra homens simulando agressões caso tenham investidas amorosas rejeitadas.
Em nota, a corporação informou que solicitou à plataforma a preservação das informações relacionadas às publicações e a retirada imediata do material. Durante a análise inicial, outros conteúdos semelhantes foram identificados, denunciados e posteriormente removidos.
Nos vídeos, homens aparecem encenando agressões físicas, como socos, chutes e facadas, dirigidas a mulheres após recusas afetivas. A Advocacia-Geral da União (AGU) confirmou que acionou a Polícia Federal na segunda-feira (9) para investigar o caso.
Segundo a AGU, as publicações tiveram origem em quatro perfis da plataforma. Apesar de o conteúdo já ter sido retirado do ar, os responsáveis pelas postagens podem responder por crimes como incitação ao feminicídio, ameaça, lesão corporal e violência psicológica contra a mulher.
O TikTok informou, também em nota, que os vídeos violam as regras de uso da plataforma e foram removidos. A empresa afirmou ainda que suas equipes de moderação continuam monitorando a rede em busca de outros conteúdos semelhantes.
Especialistas apontam que esse tipo de material misógino tem ganhado espaço em comunidades online conhecidas como “machosfera”, redpills e incels. Nesses grupos, homens que alegam sofrer injustiças sociais ou rejeição feminina difundem discursos de ódio e incentivo à violência de gênero.
Para a professora da Universidade Federal do Pará e integrante da Articulação de Mulheres Brasileiras, Eunice Guedes, o discurso misógino se intensificou nos últimos anos, especialmente com o fortalecimento de redes digitais e maior acesso a espaços de divulgação.
Ela defende que o país avance na criação de mecanismos legais que permitam punir manifestações de misoginia, mas ressalta que o enfrentamento também depende de mudanças culturais e ações preventivas da sociedade.
O debate ocorre em um contexto de aumento das discussões sobre violência de gênero no país. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública indicam que o Brasil registra, em média, quatro casos de feminicídio por dia.
Como denunciar
Casos de violência doméstica ou contra a mulher podem ser denunciados pela Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, serviço gratuito que funciona 24 horas por dia. O atendimento também está disponível pelo WhatsApp (61) 9610-0180 e pelo e-mail [email protected].
As denúncias também podem ser feitas em Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam), em delegacias comuns ou nas unidades da Casa da Mulher Brasileira. Outras opções são o Disque 100, destinado a violações de direitos humanos, e o telefone 190, para emergências policiais.









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