Corumbá, na fronteira entre Brasil e Bolívia, tem sido apontada como uma das principais rotas de um tipo específico de tráfico de drogas em Mato Grosso do Sul. | Créditos: G1
Publicado em: 08 de Março, 2026 | Fonte: Redação
Corumbá, na fronteira entre Brasil e Bolívia, tem sido apontada como uma das principais rotas de um tipo específico de tráfico de drogas em Mato Grosso do Sul: o transporte internacional de cocaína por meio de “mulas humanas”. De acordo com informações da Polícia Federal (PF) e da Receita Federal, o esquema recruta pessoas em situação de vulnerabilidade no país vizinho para levar a droga até o Brasil, tendo São Paulo como principal destino.
Diariamente, entre oito e dez ônibus atravessam a fronteira entre Bolívia e Brasil pelo município. Estimativas da Receita Federal indicam que, em cada veículo, pode haver até oito pessoas transportando cápsulas de cocaína dentro do próprio corpo.
Segundo o delegado da Polícia Federal Estevão Baesso de Oliveira, o esquema começa ainda em território boliviano. Os chamados “coiotes” são responsáveis por selecionar os transportadores, oferecer pagamento, preparar a droga para ingestão e orientar sobre o trajeto até o Brasil. A travessia costuma ser feita em ônibus, vans ou carros particulares.
O método, conhecido como transporte por ingestão, transforma o corpo humano em um meio de ocultação da droga, dificultando a fiscalização nas fronteiras. Especialistas das áreas de segurança e saúde alertam que a prática envolve grande volume de entorpecentes circulando diariamente e representa alto risco para quem engole as cápsulas, já que o rompimento do invólucro pode provocar intoxicação grave e até morte.
Existem duas formas mais comuns desse tipo de transporte. No caso do body stuffer, a pessoa engole pequenas quantidades de droga de maneira improvisada, geralmente para tentar evitar o flagrante policial. Já o body packer, conhecido como “mula”, transporta grandes quantidades de entorpecente em cápsulas preparadas e ingeridas previamente, muitas vezes em viagens de longa distância ou internacionais.

PF e Receita alertam para aumento do tráfico com “mulas humanas” na fronteira | Créditos: Divulgação/PF









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