Pantanal MS
13 de Junho / 2026

Especialistas da Secretaria Municipal de Saúde já haviam advertido que os efeitos das baixas temperaturas sobre a saúde da população costumam aparecer dias após as frentes frias, devido ao período necessário para a manifestação e agravamento das infecções respiratórias. | Créditos: Reprodução/Midiamax

  • Publicado em: 13 de Junho, 2026 | Fonte: Redação

O avanço das doenças respiratórias em Campo Grande acendeu um sinal de alerta nas últimas semanas. Dados da vigilância epidemiológica apontam que os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) registraram forte crescimento após a intensa queda de temperatura observada em maio.

Conforme Midiamax, entre a 20ª e a 21ª semana epidemiológica, o número de notificações passou de 60 para 118 ocorrências, representando um aumento de quase 97% em apenas uma semana. No mesmo intervalo, as mortes associadas à síndrome saltaram de cinco para 11 registros.

Especialistas da Secretaria Municipal de Saúde já haviam advertido que os efeitos das baixas temperaturas sobre a saúde da população costumam aparecer dias após as frentes frias, devido ao período necessário para a manifestação e agravamento das infecções respiratórias.

O comportamento previsto foi confirmado pelos dados. Após semanas de relativa estabilidade, os registros cresceram significativamente na semana seguinte ao episódio de frio intenso. Embora a semana epidemiológica seguinte tenha apresentado redução para 83 notificações, os índices permanecem acima dos observados antes da mudança climática.

As unidades de pronto atendimento também sentiram o impacto. Houve aumento expressivo na procura por pessoas com sintomas gripais e outras manifestações respiratórias, elevando o volume de atendimentos nas UPAs e Centros Regionais de Saúde. Apesar disso, nem todos os pacientes apresentavam quadros graves.

Mesmo com uma recente desaceleração nos atendimentos, a rede municipal segue em alerta. A proximidade do inverno e a possibilidade de novas frentes frias mantêm a preocupação das autoridades sanitárias, principalmente em relação aos grupos mais vulneráveis.

Mais de 1,2 mil notificações em 2026

Campo Grande já contabiliza mais de 1.225 notificações de SRAG neste ano. Entre os agentes identificados, o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) lidera os registros, seguido pelos vírus influenza A e B, metapneumovírus e adenovírus.

Idosos e crianças concentram a maioria das vítimas

Os dados revelam que idosos e crianças são os grupos mais impactados pelas formas mais graves da doença. Das 90 mortes registradas em 2026, 53 ocorreram entre pessoas com 60 anos ou mais, o que corresponde a quase 59% do total.

A faixa etária acima de 80 anos concentra o maior número de óbitos, seguida pelos grupos entre 60 e 69 anos e entre 70 e 79 anos.

Entre as crianças de até 9 anos foram registradas 13 mortes. Desse total, cinco vítimas tinham menos de um ano de idade. Também houve registros entre adolescentes de 10 a 19 anos.

Nos adultos, a maior incidência de óbitos foi observada na faixa entre 50 e 59 anos, seguida pelos grupos de 40 a 49 anos, 30 a 39 anos e 20 a 29 anos.

Influenza lidera entre os vírus associados aos óbitos

A influenza A aparece como o principal vírus identificado entre os casos fatais, seguida pelo rinovírus. Também foram registradas mortes relacionadas à influenza B, covid-19 e metapneumovírus.

Parte significativa dos óbitos foi classificada como SRAG não especificada, enquanto um caso permanece sob investigação.

As mulheres representam a maior parcela das vítimas fatais, respondendo por cerca de 59% dos óbitos registrados até o momento. Os homens correspondem aos demais 41%.

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