Pantanal MS
01 de Março / 2024
  • Publicado em: 08 de Fevereiro, 2024 | Fonte: Fábio Marchi / Rádio Fronteira FM

Corumbá - O mais novo representante de Corumbá e Ladário na Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul, Paulo Duarte (PSB) deu entrevista nesta manhã (08) ao radialista Jonas de Lima, da Rádio Fronteira - em Corumbá - a primeira conversa pública após confirmação judicial do seu mandato, que deverá ser concretizado nos próximos dias, após publicação do acórdão que deu a vitória ao corumbaense, em uma decisão unânime no TSE (7x0) e que não cabe mais recurso.

Com praticamente três anos de trabalho pela frente, Paulo Duarte     agradeceu os 16.663 votos que teve em 2022 (quase 10 mil em Corumbá e Ladário) e discorreu sobre suas alianças políticas no Governo do Estado. Em uma conversa franca e aberta, o futuro deputado Paulo Duarte fala sobre seu futuro na Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul, política e eleições municipais. Confira os destaques dessa entrevista:

Desta vez agora serão praticamente três anos pela frente e que quero agradecer às pessoas que confiaram em mim, primeiramente, essa minha gratidão, a minha determinação e a minha vontade de efetivamente trabalhar e agora com mais tempo. Vou aproveitar esse momento para algumas coisas, adiantar até algumas coisas que eu tenho conversado ao longo desse tempo, que mesmo ainda sem o mandato, mas eu sou presidente de um partido importante, o PSB, do vice-presidente da República e eu tenho sistematicamente contatos com autoridades políticas, com o governador do Estado, o Eduardo Riedel, com o ex-governador Reinaldo, com quem eu tenho uma relação muito próxima e sempre discutindo temas importantes do Estado e um deles é buscar soluções definitivas para alguns problemas que se arrastam há muito tempo e o tema da área da saúde, onde vamos discutir efetivamente com a população, com o setor da área de saúde de Corumbá, a construção de um novo hospital para Corumbá, chega de “puxadinhos” aqui e acolá.

HOSPITAL

Paulo Duarte também falou sobre o problema da Saúde em Corumbá:

Chegou o momento da gente trazer, levar para a nossa região aquilo que é um anseio, porque nós temos um hospital que presta um serviço há mais de cem anos, uma edificação que é centenária, o nosso hospital de caridade, que com certeza precisa de uma definição, porque durante o tempo que fui prefeito tivemos à frente aí um diretor que deixou muita saudade pelo seu trabalho, que foi o doutor Cristiano Xavier, mas a gente percebe que está sendo feito no estado, Coxim já tem seu hospital regional novo, Três Lagoas, que foi inaugurado há um ano e pouco, Dourados, Nova Andradina.

Essa questão da saúde pública, eu tenho conversado com pessoas ligadas à área de saúde de Corumbá, então esse é um tema que a gente vai tratar e vai ser muito importante, porque esse ano será um ano da fase de levantamento de uma série de coisas, e o próximo prefeito de Corumbá com certeza vai ter isso, vai ser importante, porque vai ter que tratar desse tema, porque há uma disposição do governo do estado de fazer isso, até porque a gente tem mais que um hospital aqui em Corumbá, em algo aí que entrando, saindo tem os mesmos problemas, então é menos oneroso você construir um novo hospital do que ficar pagando eternamente as contas no hospital aí que vem se arrastando há muito tempo.


BONS RELACIONAMENTOS

Acho que a gente constrói um trabalho fruto das relações que a gente constrói ao longo da vida, então essa minha história de manter boas relações, ter trânsito nos mais diversos setores, segmentos do Legislativo, do Executivo, isso faz com que a gente consiga levar muita coisa. Quando fui prefeito, conseguimos levar o hospital da CASSEMS, que tem uma missão importante na cidade, eu acho que agora, com a junção de esforços, a gente vai trabalhar nesse projeto. Claro, não é uma coisa simples, mas isso vai ser muito importante a partir também do ano que vem, quando teremos uma nova administração na cidade para tratar esse tema, que eu acho que é uma expectativa que toda a população ladarense e corumbaense tem e nesse momento nós temos a disposição do Estado e um governador disposto a fazer isso.

NINGUÉM FAZ NADA SOZINHO

Eu sempre disse ao longo da minha vida, da minha trajetória, que nem na vida pessoal, na vida política, ninguém faz nada sozinho, então, e eu sempre falo dessas relações que eu tenho e mantenho. Eu sempre digo “nós fizemos”, o Hospital da CASSEMS foi fruto de uma relação de amizade que eu tenho com o doutor Ricardo Ayache, então essa questão em relação ao governo federal é importantíssima, nós temos hoje três senadores que eu conheço os três pessoalmente e tenho relação com o senador Nelsinho, senadora Soraya e a senadora Teresa Cristina.

Outra coisa: para mim não importa partido político, nós temos que discutir aquilo que é importante para a cidade, que é importante para Corumbá, para Ladário, independentemente de ideologia, daquilo que você pensa em termos de política partidária, isso não importa, o que a gente vai debater é um projeto para a cidade. Eu já conversei com os senadores também sobre isso, deputados federais, porque a gente precisa que Corumbá volte a ter essa importância do ponto de vista estratégico, do ponto de vista político, abrir a relação da cidade com o Estado, com o Governo Federal.


PROJETO

Já disputei várias eleições, ganhei, perdi e você nunca me viu xingando ninguém. Não trato quem disputa comigo como inimigo, como adversário, mesmo que algumas vezes alguém queira me tratar dessa forma, acho que política se faz com diálogo, com respeito. 

Divergência é comum, então o que a gente está preparando aí é um projeto, discutir um projeto para a região, para Corumbá, e sem preocupar com eleição nesse momento, mas discutir efetivamente um projeto, o que nós temos que fazer e o que a cidade precisa. Eu fui prefeito por 4 anos, consegui deixar pronta aí 1.200, 1.040 unidades habitacionais e há 7 anos que não constroem nenhuma casa, então como é que a gente faz isso? É com parceria. Quando nós fizemos 1.040 unidades habitacionais, não fui eu sozinho: eu tive ajuda de deputados federais, de senadores, a parceria da Caixa Econômica Federal, eu nunca falei “eu fiz”, eu sempre digo: “nós fizemos”.

PREFEITURA DE CORUMBÁ

Teve uma entrevista lá atrás o governador, ainda governador Reinaldo, conversou comigo e depois já o governador Eduardo Riedel me convidando para que fosse candidato este ano a prefeito de Corumbá, e eu disse a eles que seria importante construir um projeto, não pessoal, não falar: “ah, eu sou o candidato”, um projeto pessoal de Paulo Duarte.

Então eu falei: “governador, acho que é o momento da gente buscar uma união de esforços em torno de um projeto, sem se preocupar inicialmente com nomes, sem criar um grupo de pessoas, pessoas que têm um projeto para a cidade, que pensem num projeto para a cidade”.

É por isso que eu já falei com o ex-governador Reinaldo, que eu não serei, candidato a prefeito de Corumbá - com a concordância e a anuência do ex-governador Reinaldo e do governador do Eduardo Riedel. Nós começamos lá atrás, a construção de um diálogo com alguns agentes políticos da cidade, e posso citar o nome dessas pessoas: com a ex-deputada federal Bia Cavassa, com o ex-vereador doutor Gabriel, com o vereador Chicão, com o vereador Luciano Costa e com pessoas que necessariamente não detêm mandato, mas que estão nos ajudando nessa discussão.

Estou conversando com empresários da cidade em torno de um projeto e depois do Carnaval, já convidei, deve se filiar depois do Carnaval ao PSB, ao meu partido, o doutor Gabriel - e sem nenhuma imposição, pois o nome dele vai estar também à disposição, como de outros estão, na discussão em torno desse projeto.

A gente quer construir esse caminho sem atacar ninguém, sem xingar ninguém, mesmo que as pessoas queiram fazer esse debate mais rasteiro. Precisamos discutir um projeto para a cidade, o que a cidade precisa, um compromisso de ter uma cidade que seja administrada com tranquilidade, com respeito às pessoas, sem perseguição, com respeito aos servidores públicos, principalmente aqueles que fizeram concurso.

Enfim, é um projeto, a gente está trabalhando nisso com toda tranquilidade, volto a dizer, sem nenhuma imposição.

GRUPO POLÍTICO

A política é a arte de fazer alianças, por isso jamais devemos tratar as pessoas como inimigas. Eu disputei eleição, por exemplo, com o doutor Gabriel em 2020. Ah, foi uma eleição dura, difícil, mas eu nunca tratei o doutor Gabriel e nem ninguém como inimigo, porque é a vida, né? A eleição passa, a vida continua, você tem que dialogar com todo mundo, e depois de resultado, você tem que aceitar quem ganhou a eleição, e quando tem outra disputa, aí você vai lá e apresenta o seu projeto. Política é assim e não tem nada errado nisso.

Então, esse grupo que eu me refiro aí, não é um grupo de chegados, de amigos, que querem poder, não! Até porque quem decide não somos nós, quem decide é a população. Vou participar ativamente desse processo mesmo não sendo candidato, mas vou ajudar a construir essa discussão com a população. Quem vai decidir não é nenhum cacique político, quem vai decidir é o povo, a população, é ela quem vai escolher o melhor projeto.

Acho que a gente tá num momento que precisa unir esforço em torno de uma proposta pra Corumbá, que tenha pessoas com capacidade de gestão, que tenha compromisso com a cidade.

Eu acho que o momento é de ajudar e eu posso ajudar, como já fiz lá atrás, como Deputado. Ajudar a cidade, pra que a gente tenha a nossa região de Corumbá e Ladário crescendo, se desenvolvendo, tendo justiça social.

Então essa é uma coisa que eu tô adiantando pela primeira vez, publicamente, em primeira mão: não serei candidato, mas isso não quer dizer que não participarei ativamente do processo. Vou participar, sim, mas não como candidato.


POR QUÊ UM GRUPO?

Paulo Duarte disse que a ideia de montar um grupo político para um projeto de Corumbá surgiu durante um jantar na casa do conhecido médico e ex-vereador Domingos Albaneze:

Dr. Domingos para quem não sabe, além de um grande médico, é um exímio cozinheiro, um dos maiores chefes de cozinha que eu já conheci na minha vida. Estávamos na casa dele e lá foi feita a primeira conversa sobre isso, quando ninguém acreditava que isso fosse possível. Todo mundo achava que ia ser o seguinte: “ah, vai ser todo mundo candidato, cada um para um lado” e volto a dizer dizer, algumas pessoas não acreditavam, falavam: “ah, o Paulo tá só fazendo moagem e no final ele é candidato, né?” 

E eu disse desde o princípio desse grupo: “eu tô aqui em nome de um projeto pra cidade, abrindo mão de ser candidato, com o apoio do Governo do Estado se eu quisesse”, porque eu acho que é dessa forma que você constrói um ambiente favorável de união, porque se eu já me coloco desde o início como candidato, eu já fui prefeito, eu acho que inclusive devo dar oportunidade a outras pessoas que não foram, porque isso favorece a mudança, a renovação.

É um grupo heterogêneo, é claro, houve divergência, houve discussão. Mas assim: a política é a arte onde você consegue da divergência, construir a convergência - e é isso que nós estamos fazendo e é isso que nós fizemos. Eu citei aqui nomes de várias gerações: tem jovens, tem gente de meia idade, tem gente mais experiente, mas volto a dizer, não é um grupo de políticos, não, é um grupo de pessoas que estão discutindo um projeto, as perspectivas de Corumbá para os próximos anos. Acho que o mais importante que um nome, é discutir o projeto para a cidade, o nome vem depois.

Primeiro, todo mundo entender que precisamos construir casas populares, nós temos que resolver a questão do hospital, da construção do hospital, tem que resolver esse dilema da BR-262, nós temos colocar Corumbá como uma cidade que se desenvolve, mas que respeita o seu meio ambiente, melhorar a qualidade de atendimento daquilo que é o problema mais crucial de Corumbá, que é a área da saúde. 

Qualquer pesquisa que você faz é o principal problema que a cidade tem, as questões inerentes a uma cidade de fronteira, restabelecer esse diálogo estadual e nacional, é isso que nós queremos fazer e é isso que a gente vai trabalhar. Estamos trabalhando daqui para frente, sem agredir ninguém, sem xingar ninguém e sem atacar ninguém, apresentar o projeto - e a população, de forma livre e soberana, escolhe seu destino. É assim que funciona a democracia.


CONVERSAS

Conversei com o Bira (PSDB), inclusive estará  nesse projeto, Bira que preside a Câmara Municipal. Conversei com o Paulo André, que é o presidente municipal do PSDB e o Bira também sempre se colocou com todo o direito, né, como pré-candidato a prefeito - mas tá disposto a formar também dentro desse time aí pra que a gente, dentro desse alinhamento, busque aí, lá na frente, a disputar as eleições, mas agora estamos preocupados com o projeto pra nossa cidade.

O que vai ser discutido é isso, que é muito mais importante nesse momento do que nomes, né. Primeiro você discute um projeto: “O que você quer fazer com a cidade? Como é que a gente transforma a cidade? Como é que tira Corumbá da estagnação econômica?” E são debates importantes. Então, por isso que nome agora não importa.

Nós temos esse time que tá aí, que eu volto a dizer, com o vereador Bira, com a Bia Cavassa, com o doutor Gabriel, com o vereador Chicão, com o vereador Luciano Costa e outros que não são políticos, porque isso não é só política que decide, não - é a população, mesmo. Pessoas que são de segmentos importantes, que trabalham e que estão discutindo a cidade, você tem que discutir com a população, com o setor. Tem que ter capacidade, tem que ter conhecimento, tem que ter interlocução, né?


PROBLEMAS A SEREM RESOLVIDOS


Nós estamos com alguns problemas e vão ter que ser resolvidos.
Falei sobre a saúde, mas essa questão também da BR-262, que é a solução, na minha opinião, passa pela recuperação da ferrovia, pra transporte de carga, porque é inviável. Eu que tô sempre na estrada, é um perigo. Tem uma quantidade de caminhões que é incompatível com a estrada e a solução.

Eu tô falando de problemas urgentes, importantes e problemas grandes, que tem que ser debatido. Então, a gente precisa discutir efetivamente isso.

Um projeto que envolva a cidade, que envolva a população, que envolva o setor empresarial, o setor produtivo, o pequeno produtor.

Eu ando muito, o Estado está crescendo muito. Para qualquer cidade que a gente vai, a gente vê o crescimento, o desenvolvimento e a gente quer que isso também aconteça em Corumbá e Ladário - e isso não é trabalho para uma pessoa só, não é trabalho para um prefeito. É um trabalho de um grupo de pessoas, é uma cidade envolvida, o setor empresarial, são os trabalhadores, as trabalhadoras, porque se não constrói um projeto individual. Nós temos que construir um projeto coletivo, por isso que a gente reuniu, inclusive pessoas que pensam, às vezes, diferente, mas tem uma coisa em comum. Acho que Corumbá precisa mudar, Corumbá precisa renovar, Corumbá precisa viver um outro momento.

Pode ter certeza que Corumbá e Ladário voltará a ter força política, isso eu garanto, porque eu já fiz isso, sei como fazer. Então pode ter certeza que Corumbá vai ser olhada com outros olhos e Ladário também. Em relação ao Governo do Estado, em relação ao Governo Federal, né, e vamos construir esse projeto da nossa parte, com certeza - com paz, com harmonia. Você nunca vai ouvir da minha boca xingando, atacando, agredindo ninguém, nunca fiz, nem farei isso, não faço política com fígado, não trato quem disputa comigo como inimigo, eu acho que já tem muita confusão no país, a gente precisa de um pouco de paz, de tranquilidade, respeitar as diferenças, respeitar quem pensa diferente.
 

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