Pantanal MS
02 de Julho / 2026

Contratos que ultrapassam R$ 23 milhões e uma empresa criada com baixo capital social estão no foco de uma nova denúncia envolvendo a Fiems. | Créditos: reprodução/MSDIARIO/Midiamax

  • Publicado em: 02 de Julho, 2026 | Fonte: Redação/Midiamax

A diretoria da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems) voltou ao centro de questionamentos após uma reportagem publicada pelo Jornal Midiamax apontar suspeitas de um suposto esquema envolvendo empresas ligadas ao Sistema S. Segundo a publicação, ex-funcionários da entidade denunciaram a existência de uma estrutura empresarial que teria sido utilizada para manter contratos milionários na área de tecnologia.

Conforme a reportagem, a empresa Blackbird Soluções em Tecnologia Ltda., criada no fim de 2023 com capital social de R$ 5 mil, passou a prestar serviços ao Sesi poucos meses após sua constituição. Ainda de acordo com o Midiamax, os sócios registrados da empresa seriam funcionários da Acto Soluções em Tecnologia, companhia que anteriormente mantinha contratos com o Sistema Fiems.

Empresa de Crosara que tem sócios da Blackbird como funcionários tinha contrato de R$ 5,3 milhões com a Fiems. (Reprodução, Portal Transparência da Fiems). | Créditos: Reprodução/Midiamax

A publicação afirma que ex-servidores da federação suspeitam que os sócios da Blackbird atuariam como "laranjas" para preservar contratos que antes eram executados pela Acto, empresa ligada ao atual vice-presidente da Fiems, Luiz Gonzaga Crosara Júnior. A reportagem ressalta, entretanto, que Crosara nega qualquer irregularidade, afirmando que deixou o quadro societário da Acto em 2025 e que exerce apenas função consultiva, embora continue vinculado à empresa por meio de uma holding.

Adriano afirma, em seu currículo Lattes, trabalhar em período integral na Acto, como gerente de suporte, desde 2021. (Reprodução, CNPQ, Lattes). | Créditos: Reprodução/Midiamax

A reportagem também destaca que Ricardo Servilha Gouvea Filho, apontado como sócio da Blackbird, figurou como representante da Acto Soluções em Tecnologia em uma licitação da Prefeitura de Palmas (TO), realizada em abril deste ano. O certame, voltado à contratação de um software para a administração municipal, teve valor estimado em cerca de R$ 8 milhões e acabou sendo vencido por outra empresa. Ainda conforme o levantamento, mesmo integrando o quadro societário da Blackbird, Ricardo atuou em nome da Acto durante o processo licitatório.

Ricardo atuou como representante. | Créditos: Reprodução/Midiamax

Ainda segundo o Midiamax, documentos analisados pela reportagem indicariam que contratos relacionados à área de tecnologia, firmados ao longo dos últimos cinco anos, ultrapassariam R$ 23 milhões. O jornal também destaca que o orçamento anual do Sistema Fiems supera R$ 450 milhões, incluindo recursos oriundos de contribuições compulsórias e verbas públicas destinadas às entidades do Sistema S.

A reportagem relembra ainda que a Fiems já foi alvo de outras investigações envolvendo contratos e licitações. Em 2026, a entidade passou a ser investigada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul por supostas irregularidades em contratos de aproximadamente R$ 1,5 milhão firmados com empresas que possuem os mesmos sócios. Posteriormente, houve pedido de arquivamento desse inquérito, que ainda dependia de análise do Conselho Superior do MP.

Até a publicação da reportagem do Midiamax, a Fiems não havia se manifestado oficialmente sobre as novas denúncias. O espaço, segundo o veículo, permanece aberto para eventuais esclarecimentos da entidade.

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