A taxa de incidência estadual chega a 110,9 casos por 100 mil habitantes — mais de dez vezes acima da média nacional, estimada em 9,6. | Créditos: reprodução/MSDIARIO
Publicado em: 27 de Março, 2026 | Fonte: Redação
Mato Grosso do Sul registra avanço preocupante da chikungunya, com ao menos 11 municípios apresentando índices superiores a 300 casos suspeitos por 100 mil habitantes — patamar que caracteriza situação de epidemia. A avaliação é do infectologista Júlio Croda, que alerta para a possibilidade de expansão do vírus, especialmente na região cone-sul do Estado.
Até o momento, o Estado soma 3.058 casos prováveis e seis mortes confirmadas. Cinco das vítimas eram residentes da Reserva Indígena de Dourados, incluindo dois bebês, e o sexto óbito ocorreu em Bonito. A taxa de incidência estadual chega a 110,9 casos por 100 mil habitantes — mais de dez vezes acima da média nacional, estimada em 9,6.
Segundo Croda, localidades que ultrapassam 300 casos por 100 mil habitantes já podem ser classificadas em situação epidêmica. Apesar disso, cidades com grande população, como Dourados, ainda apresentam índices gerais abaixo desse limite. No entanto, o cenário muda ao se observar áreas específicas, como a reserva indígena do município, onde a incidência ultrapassa 7.700 casos por 100 mil habitantes, evidenciando forte concentração da doença.
Entre os municípios com maiores índices estão Fátima do Sul, Jardim e Sete Quedas, todos com incidência superior a mil casos por 100 mil habitantes. Outras cidades, como Vicentina, Selvíria, Corumbá, Antônio João, Guia Lopes da Laguna, Bonito, Água Clara e Douradina, também apresentam números acima do limite epidêmico.
A tendência, segundo o especialista, é de agravamento no curto prazo. O período de maior circulação do vírus — favorecido por calor e chuvas intensas — deve se estender até o fim de abril ou início de maio. “Ainda devemos observar aumento de casos, internações e óbitos nas próximas semanas”, afirma Croda. Ele também destaca que os quase mil casos registrados na primeira quinzena de março podem refletir em novos óbitos ao longo de abril.
A pressão sobre o sistema de saúde já é evidente, especialmente em Dourados, onde a ocupação de leitos hospitalares chegou a 97% nesta semana, permanecendo em 89% no último levantamento. Embora nem todos os casos sejam de chikungunya, a doença tem impacto significativo na demanda por atendimento.
Apesar da preocupação, não há indicativos de disseminação generalizada em todo o Estado. A expansão, até o momento, parece concentrada no cone-sul. Em outras regiões, como Campo Grande, a situação é mais controlada, em parte devido ao uso do método Wolbachia, que reduz a capacidade de transmissão do vírus pelo mosquito Aedes aegypti.
Dados recentes indicam uma possível redução no número de casos semanais, após pico registrado no início de março. No entanto, o especialista alerta para atrasos na notificação, o que impede conclusões definitivas sobre uma eventual queda. A recomendação é cautela na interpretação dos dados mais recentes até a consolidação dos próximos boletins epidemiológicos.








Comentários