A empresa já obteve aprovação de financiamento de R$ 3,7 bilhões junto ao BNDES para a construção de embarcações, como balsas e empurradores, com o objetivo de fortalecer a navegação na hidrovia. | Créditos: LHG
Publicado em: 21 de Fevereiro, 2026 | Fonte: Redação
O Governo de Mato Grosso do Sul declarou de utilidade pública uma área de 845,9775 hectares distribuída em 13 trechos de fazendas localizadas em Corumbá. A medida atende a pedido da LHG Mining Corumbá S.A., empresa controlada pelo grupo JBS, para viabilizar a implantação de um Transportador de Correia de Longa Distância (TCLD) e de um Terminal Ferroviário com pátio de produtos.
As intervenções integram o plano de expansão da mineradora, que assumiu as operações na região em 2022, sucedendo a antiga Mineração Corumbaense Reunida (MCR). A LHG projeta investimento de aproximadamente R$ 4 bilhões para ampliar a capacidade produtiva anual de minério de ferro e manganês, passando das atuais 12 milhões para 25 milhões de toneladas.
Os trechos destinados à nova estrutura logística atravessam nove propriedades rurais, incluindo áreas pertencentes à própria empresa. Conforme o decreto estadual, a mineradora poderá negociar diretamente com os proprietários ou recorrer à via judicial para garantir a utilização das áreas, arcando com os custos indenizatórios. O ato também autoriza a alegação de urgência para imissão na posse, caso necessário.
Com a paralisação do transporte ferroviário na região, o escoamento da produção mineral passou a depender da hidrovia do Rio Paraguai ou, em períodos de estiagem, do transporte rodoviário. Em determinadas fases, o fluxo já chegou a centenas de caminhões por dia na região pantaneira. A criação de nova alternativa logística busca reduzir essa dependência e otimizar o transporte até os pontos de embarque.
A empresa já obteve aprovação de financiamento de R$ 3,7 bilhões junto ao BNDES para a construção de embarcações, como balsas e empurradores, com o objetivo de fortalecer a navegação na hidrovia. Paralelamente, o Governo Federal prevê leiloar o trecho ferroviário entre Corumbá e Mairinque, na tentativa de atrair investimentos privados, além de avançar na concessão da Hidrovia Paraguai-Paraná, que poderá receber intervenções para melhorar a navegabilidade.
A expansão logística também ocorre em meio a discussões locais sobre impactos no tráfego e na rotina de comunidades como Porto Esperança, onde a circulação de caminhões motivou questionamentos e apurações. Segundo informações constantes no Estudo de Impacto Ambiental apresentado pela empresa, o projeto está localizado a cerca de 58 quilômetros de Corumbá e utiliza como principal acesso a BR-262.
A região de Corumbá é considerada estratégica para o setor mineral brasileiro, com grandes reservas de minério de ferro e manganês. A ampliação da infraestrutura logística é apontada como etapa fundamental para sustentar o aumento da produção e fortalecer a competitividade da mineração sul-mato-grossense no mercado nacional e internacional.









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