Pantanal MS
27 de Março / 2026

Entre os principais fatores que levam brasileiros a empreender estão a flexibilidade de horários, a autonomia profissional e a expectativa de ganhos maiores. | Créditos: Agencia Brasil

  • Publicado em: 25 de Março, 2026 | Fonte: Agencia Brasil

Quase metade dos empreendedores brasileiros pertence à classe C, considerada a classe média do país. É o que revela levantamento realizado pelo Instituto Locomotiva em parceria com o Sebrae, que traça o perfil atual de quem investe no próprio negócio no Brasil.

O estudo indica uma mudança no papel do empreendedorismo, que deixa de ser apenas uma alternativa emergencial de renda e passa a representar um projeto de vida. A busca por ascensão social e a perda de atratividade do emprego formal têm impulsionado esse movimento.

Entre os principais fatores que levam brasileiros a empreender estão a flexibilidade de horários, a autonomia profissional e a expectativa de ganhos maiores. Para muitos, abrir o próprio negócio surge como uma forma de melhorar a qualidade de vida, reduzindo desgastes associados ao trabalho tradicional, como longas jornadas, deslocamentos e ambientes considerados adversos.

Segundo o presidente do Sebrae, Décio Lima, o empreendedorismo tem papel central na economia e na sociedade. “Além de garantir sustento para milhões de famílias, os pequenos negócios geram empregos, renda e promovem inclusão social em diversas regiões do país”, afirmou em nota.

Apesar do crescimento, especialistas alertam para a necessidade de políticas públicas que fortaleçam o setor. Lima defende a ampliação do acesso ao crédito, incentivo à inovação e programas de capacitação como pilares para aumentar a competitividade dos pequenos empreendedores.

O economista Euzébio de Sousa ressalta que nem toda atividade autônoma pode ser classificada como empreendedorismo. Segundo ele, é importante diferenciar iniciativas inovadoras — que ampliam a produtividade — de formas precárias de trabalho disfarçadas de autonomia, como a pejotização ou atividades de subsistência.

De acordo com o pesquisador, o chamado “empreendedorismo por necessidade” ocorre quando pessoas abrem negócios por falta de alternativas no mercado formal, cenário comum em contextos de desemprego, informalidade e baixos salários. Nesses casos, a atividade deixa de representar inovação e passa a ser uma estratégia de sobrevivência.

Para Sousa, o empreendedorismo deve estar associado ao desenvolvimento econômico e não à ausência de oportunidades. “Quando surge apenas como resposta à precariedade, não promove crescimento sustentável, mas reflete dificuldades estruturais do mercado de trabalho”, avalia.

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