Pantanal MS
19 de Junho / 2024

Profissionais da área de saúde relatam descaso no pagamento de horas extras e falta de respeito com a classe. | Créditos: Fábio Marchi

  • Publicado em: 29 de Fevereiro, 2024 | Fonte: Fábio Marchi / Ana Marchi

Corumbá - E a novela do caos da Saúde em Corumbá apresenta mais um capítulo: profissionais da área da saúde em Corumbá, incluindo os que atuam no pronto-socorro, nas unidades de urgência e emergência, como a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), deram início a uma mobilização nesta quinta-feira (29), em razão do não pagamento de horas extras pela Prefeitura.

Para pressionar as autoridades, um grupo de trabalhadores, incluindo técnicos de enfermagem e do setor de Radiologia, se reuniu em frente ao setor de Emergência da Santa Casa, na esquina das ruas América e Sete de Setembro. Eles anunciaram que, enquanto não receberem o pagamento pelas horas extras, o serviço será realizado de forma mais lenta - porque não estão recebendo pelas horas extras trabalhadas.

"Trabalhamos horas extras no mês passado (janeiro) e não recebemos por elas. Estamos aqui para exigir o pagamento das horas extras. Hoje, a secretária de Saúde (Beatriz Assad) disse que será pago até o dia 10 de março, mas os juros das nossas contas não esperam. Trabalhamos o mês inteiro para receber agora, e é isso que queremos. Não podemos interromper nossos serviços essenciais por causa de atrasos nos pagamentos, especialmente quando não fomos avisados com antecedência sobre os cortes em nossos salários", disse Simoni Soares, técnica de enfermagem.

Marcele Andrade, também técnica em enfermagem, reclamou: 

"Eles deveriam ter informado que seriam pagas apenas 60 horas trabalhadas, que é a carga horária do profissional, mas quando trabalhamos mais por conta de urgências e emergências, isso não foi compensado. Trabalhamos mais de 60 horas em plantões que não foram pagos".

Confira o vídeo abaixo:

Marcelo Eduardo, servidor da área de Radiologia, ressaltou que cada funcionário tem obrigação de cumprir 60 horas, mas há horários vagos que precisam ser preenchidos para garantir o atendimento adequado. 

"Isso é um desrespeito com o profissional, que faz o trabalho com responsabilidade, mas não recebe por isso. Isso não é uma situação nova, vem ocorrendo há meses, com promessas de pagamento que nunca se concretizam".

E complementa:

Precisamos do pagamento agora. Aí abre o holerite e vem faltando R$ 600, 700, 800, 900, 500, 300, 400 reaisNão dá, não dá. Como a colega falou aqui, ninguém está reivindicando aumento do salário. Não, é o que a gente trabalhou, o que a gente quer receber.

AMEAÇAS E PERSEGUIÇÕES

O radiologista também denuncia que a pressão política em cima dos funcionários é imensa:

"Tem gente trabalhando aqui sobre ameaça com medo. Isso é inadmissível. Tem gente filmando, falando que tem fulano que é contratado tá reclamando - e pode sofrer represálias. Gente, eu não tenho medo.

Corumbá, tem distrito, tem posto de saúde. Onde for, Corumbá, para mim é o Corumbá, só.Vou trabalhar do mesmo jeito.Pode ameaçar, pode ser Prefeito, pode ser qualquer pessoa. Pode ameaçar, não tenho medo disso aí. Dou a cara à tapa, porque esse pessoal tá sofrendo. Esse pessoal tem que ser assistido, esse pessoal tem que ser ouvido."

SERVIÇO “MAIS LENTO”

Os profissionais enfatizaram que o serviço no Pronto-Socorro Municipal poderá ficar mais lento - não pela vontade dos servidores, mas pela falta de pessoal para preencher os horários vagos.

“Na recepção tem um atendendo, na classificação tem um atendendo, no repouso tem um técnico, em pediátrico tem outro técnico, na emergência são três técnicos, estão os três técnicos, só que vocês têm que entender, se a demanda aumentar, vai ficar mais lento.”

Isso porque a Prefeitura de Corumbá além de não pagar as horas extras trabalhadas em dia, na mesma folha de pagamento, também não paga nenhuma hora a mais além das 60 horas extras mensais.

Logo, os profissionais dizem que não trabalharão além das 60 horas que a Prefeitura estipulou, porque não trabalharão de graça e como existem muitos horários vagos, a quantidade de profissionais disponíveis cairá drasticamente, causando lentidão no atendimento do setor.

“A população vai reclamar, vai reclamar lá na frente. Mas o que podemos fazer?”

Os profissionais enfatizaram que os serviços de urgência e emergência continuarão funcionando normalmente. 

"Jamais deixaremos a população desassistida. Não estamos pedindo aumento, apenas queremos receber pelo que trabalhamos, que são nossas horas extras. Precisamos pagar nossas contas, estamos exigindo apenas o que é nosso por direito", 

destacou Glace Kelly Aranda, técnica em enfermagem.
 

Comentários