Maior águia das Américas pode estar ameaçada pelo avanço da mineração em Corumbá | Créditos: reprodução/MSDIARIO
Publicado em: 21 de Agosto, 2026 | Fonte: Redação
O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil para apurar possíveis irregularidades em autorizações para retirada de vegetação no Maciço do Urucum, em Corumbá, região do Pantanal onde a atividade mineradora vem avançando. A investigação também busca verificar se a supressão vegetal pode ter afetado áreas utilizadas para reprodução da harpia (Harpia harpyja), espécie considerada quase ameaçada de extinção.
A apuração envolve autorizações ambientais emitidas pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) a partir de 2024. O MPF quer esclarecer se os procedimentos seguiram as exigências legais e se houve necessidade de participação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Entre os pontos analisados está a retirada de vegetação em áreas superiores a 50 hectares e com presença de Mata Atlântica em estágios médio ou avançado de regeneração. A legislação estabelece regras específicas para intervenções nessas áreas, incluindo situações que podem exigir anuência do órgão ambiental federal.
Investigação envolve habitat da harpia
Além da regularidade das autorizações, o MPF pretende avaliar os possíveis impactos sobre o habitat da harpia na região.
A preocupação ganhou força diante de informações técnicas que apontam a existência de ninhos da espécie em áreas próximas ou relacionadas ao avanço da atividade minerária. A sobreposição entre os locais autorizados para intervenção e as áreas utilizadas pelas aves está entre os pontos que deverão ser analisados durante a investigação.
A harpia é uma das maiores aves de rapina do mundo e necessita de grandes áreas preservadas para sobreviver e se reproduzir. A descoberta de um ninho ativo no Maciço do Urucum, em 2025, foi considerada um importante registro para a conservação da espécie em Mato Grosso do Sul.
MPF solicita documentos ao Imasul
Como parte das primeiras diligências, a Procuradoria solicitou ao Imasul cópia completa dos processos administrativos que deram origem a três autorizações ambientais relacionadas ao caso.
O órgão estadual também deverá apresentar informações técnicas que expliquem a eventual dispensa de anuência do Ibama e esclarecer se foram realizados estudos específicos para identificar a presença de ninhos de harpia nas áreas licenciadas.
A investigação envolve ainda as empresas LHG Mining Corumbá S/A, Vetria Mineração S.A. e 3A Mining S.A., que foram comunicadas sobre a abertura do inquérito e poderão apresentar documentos e esclarecimentos ao MPF.
A abertura do inquérito civil não significa que irregularidades ou responsabilidades já tenham sido comprovadas. O procedimento tem justamente a finalidade de reunir informações, verificar a regularidade dos atos administrativos e avaliar eventuais impactos ambientais.
Registro raro no Pantanal
O Maciço do Urucum ganhou destaque científico após pesquisadores confirmarem a reprodução de harpias na região. Em julho de 2025, uma expedição identificou um ninho ativo de um casal da espécie, considerado um registro histórico para Corumbá.
Meses depois, o acompanhamento dos pesquisadores confirmou o nascimento de um filhote no local, reforçando a importância da área para a reprodução da espécie.
A harpia pode alcançar cerca de 2,2 metros de envergadura e ocupa o topo da cadeia alimentar. Por depender de grandes áreas florestais e apresentar reprodução lenta, a preservação de seu habitat é considerada fundamental para a manutenção das populações.
No Mato Grosso do Sul, o Maciço do Urucum está entre as áreas onde a presença da espécie já foi registrada, reforçando a relevância ambiental da região para a conservação da fauna.









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