Pantanal MS
19 de Junho / 2024
  • Publicado em: 10 de Junho, 2024 | Fonte: Redação

Em 2023, a cobertura vacinal da dTpa, a tríplice bacteriana acelular, foi de apenas 75%. Esta vacina é essencial para gestantes, protegendo contra coqueluche, tétano e difteria, mas a adesão ainda é baixa. A atriz e jornalista Natália Gadioli, grávida pela segunda vez, planeja tomar a dTpa na 20ª semana de gestação e destaca a importância de combater a desinformação que afasta gestantes das vacinas. "Infelizmente, vemos muita fake news que assusta as pessoas, prejudicando a saúde individual e coletiva", afirma.

Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, explica que a hesitação vacinal é influenciada por vários fatores, especialmente a percepção de risco. "Durante a pandemia, todos queriam a vacina contra a covid-19 devido ao alto número de mortes diárias. Hoje, com menos vítimas, é mais difícil atingir a cobertura das doses de reforço", comenta Cunha, que também ressalta a necessidade de uma comunicação eficaz para combater a desinformação, especialmente entre profissionais de saúde que influenciam as gestantes.

O último surto de coqueluche no Brasil foi em 2014, mas o Ministério da Saúde alerta para um aumento de casos em outros países que pode chegar aqui. Este ano, até abril, houve 31 infecções confirmadas, principalmente em bebês de até seis meses. O SUS vacina os bebês contra a coqueluche a partir dos dois meses, mas a proteção inicial depende da vacinação das gestantes.

A ginecologista Nilma Neves destaca a importância de os profissionais de saúde verificarem a vacinação das gestantes durante o pré-natal e responderem suas dúvidas. Ela aponta que a falta de disponibilidade das salas de vacina nos fins de semana e a limitação de horários para vacinação em postos de saúde dificultam o acesso para muitas gestantes que trabalham.

A vacina contra a gripe também enfrenta baixa adesão, mesmo com campanhas e dias de vacinação especiais. Atualmente, menos de 25% das gestantes se vacinaram, apesar de a vacina proteger contra três cepas do vírus Influenza, um dos principais causadores da Síndrome Respiratória Aguda Grave, que pode ser fatal para bebês e gestantes.

A covid-19 também continua sendo uma preocupação. Estudos mostram que a doença pode levar a complicações graves durante a gravidez. Apesar disso, há resistência à vacinação. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificou um aumento significativo nas mortes de gestantes e puérperas nos primeiros anos da pandemia. As gestantes devem tomar a vacina monovalente xbb da Moderna, disponível no SUS.

Glaucia Vespa, diretora médica de vacinas da América Latina da Adium, explica que as vacinas passam por rigorosos processos de teste e monitoramento contínuo para garantir sua segurança e eficácia. Marcelo Freitas, gerente médico de vacinas da Farmacêutica GSK, destaca a importância do envolvimento familiar na estratégia vacinal das gestantes, promovendo um círculo de proteção ao bebê.

O calendário vacinal do SUS também recomenda que gestantes sejam imunizadas contra a hepatite B, caso ainda não tenham recebido a vacina, e completem o esquema da vacina DT, que protege contra tétano e difteria. Nilma Neves reforça a importância de conferir o cartão de vacinas antes da gravidez, especialmente para vacinas como a tríplice viral, que não pode ser administrada durante a gestação.

Comentários